Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



sexta-feira, 20 de agosto de 2010


iniciação

despe o manto em que escreves a vida
e volta-te.
prosseguirás sem leitura;
devolvido à nudez cantarás a lança disparada dos sonhos
e o uivar dos lobos nas noites, cheias, de sombras;
desvelarás as plumas.
onde sobrevoares aterrarás,
o teu olhar atravessará tudo o que vê
penetrarás tudo o que tocas
e nessa travessia não saberás regresso.

1 comentário:

  1. Eu vinha discretamente, ao fim do dia por causa do calor, regar as flores, as rosas do quintal. Vinha descalça para não quebrar nem o silêncio nem a luz. Afinal não havia rosas para regar. Eu estava dentro das rosas e no quintal. Não sei se foi da luz ou dos seus reflexos, assustei-me. Claro que sim...chegava Setembro e tu explodias saber sobre mim, no mês em que de facto fui nascida. Cubro tudo em mim de rubor, porque me fizeste em flor, morrer e esperar renascer. Nos quintais, como na infância e na velhice onde espero ter uma cadeira como a de Van Gogh e ler escutando o perfume das flores.

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