Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



Aforismos







A mentira ferve de verdades.





 



A vida é já o silente grito de um pós-terra. De um depois que é antes, presença original rebentadora !


 





O mistério é uma intimidade.
 





Todos os obstáculos apontam caminhos.

 





nascimento, imperativo pesadume da suprema leveza.

 





tudo progride para a dissolução.



 



O matrimónio é uma via monástica.


 



perde-te ao ponto de só te restar o encontro.
 




no esquecimento se banham todas as memórias.
 




Quem é anjo sempre aparece.











nenhuma palavra celebra a profusão dos sopros na consumação do destino.





  


na profundidade de tudo se desaparece.









na antecâmara da recôndita verdade estala a pérola.









no sangue se abrigam vastas origens.











e tudo o vento traz.









a saudade é a chama; o chamamento, o silêncio.








saudade, a precognição










faz tudo certinho, à margem !









em rigor não se pisa o risco,
transgride-se à risca!










na tristeza que se instala está o divino que te abala.












entardecer amanhece-te !











no olhar do outro encontras os teus sonhos mais remotos.









não há fragmento, viagem ou miragem, no silêncio, véspera de tudo












o homem nasce quando se levanta de haver nascido.

 

 

 

 

 



quantas infâncias se perdem ao nascer (se) !

 

 






a luz permite a obscuridade










o óbvio é o maior equívoco.






as grandes alegrias não são extraordinárias.








verdade é o fogo que nos dissolve a voz na escuta













pressagiamos a nossa imortalidade original e ainda assim corremos com(tra) o tempo












são as experiências não passíveis de memória que nos relembram o imemorável.









nada nos satisfaz quando estamos satisfeitos.











é preciso uma certa bruma para não perdermos visibilidade.









preserva o laço, seja qual for o desenlace






.


o ponto de equilíbrio é um ponto de vista.













num ponto indeterminável se determina o ponto de encontro.










tudo se perde para o reencontro.









a solidão do amor é um novelo de luz do qual se tece o encontro profundo dos amantes.











o tempo é a eternidade.











no desaparecimento dentro do que finda está o Absoluto










não te confines à liberdade.










a simplicidade é um requinte.









 da mais intrincada treva irrompe o clarão







  





toda a elevação se sublima na descensão.








Se te apressas a viver não chegarás a tempo de morrer.









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