o espírito escreve
sem que o gesto da grafia seja devido.
Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens. Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.
piedosa é a noite que no escuro me refunda sem dó e me encontra sem sombra de mim.
quando no coração entra a vida viver é indizível.
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
cheira a noite, ao invernar da semente, recolhida, não adormecida, quente cheira a noite a desenhar-me jejum e cosmogonia, a romã me pressente.
| premonições de Perséfone |
estou
corpo, em órbita de partidas, roso da negrura, os anjos rolam-me à
estrela, sou poeira dourada suspensa no movimento que me pausa infra,
supra, intra.