Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



segunda-feira, 15 de janeiro de 2018



no princípio era o ouro.




piedosa é a noite 
que no escuro me refunda sem dó 
e me encontra sem sombra de mim.






quando no coração entra a vida 
viver é indizível.



sexta-feira, 5 de janeiro de 2018



cheira a noite, ao invernar da semente, recolhida, não adormecida, quente
cheira a noite a desenhar-me jejum e cosmogonia, a romã me pressente.


| premonições de Perséfone |


estou corpo, em órbita de partidas, roso da negrura, os anjos rolam-me à estrela, sou poeira dourada suspensa no movimento que me pausa infra, supra,
intra.


| em solstício |