Quando me aflora a partida deste mundo, apresenta-se-me mais claramente o sentido da vida, e a adentrada composição de experiências paira ante os olhos, para mostrar que não se vê, que é escuro, infinito, que é vesícula germinal na qual doura em secretude a flor.
Vista para os Quintais
o espírito escreve sem que o gesto da grafia seja devido
Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.
quarta-feira, 1 de abril de 2026
afloração
domingo, 31 de agosto de 2025
Acordar, uma errância
Procuro o elo que me desligue a percepção incompreendida da realidade de onde emerjo e da realidade onde chego, subita. A força que, por uma corda na roldana, exerce um largar para descer e um puxar para subir, como a um balde no poço. Atravessam-me duas inquietações: a memória que me apaga o tempo ao descer e desaperta para me reunir, e a memória que me detém de olhos abertos a suportar cada segundo de imagem, a reconstruir-me de passagens, assegurando-me indefiniçōes e a metamorfose existencial. A subida e a descida recordam-me o erro, e este obriga-me a confiar, a escutar, obriga-me a sentir medo, como se o medo fosse um fulcro para poder aceder ao valor das imagens, à sua luz fundamental. Procuro a porta das imagens. Procuro conhecer o erro. O erro cura-me do erro. Qual o valor da imagem da porta aberta do meu quarto? Qual o valor da porta da minha casa? e o da ranhura da chave? Que chave é a chave?
segunda-feira, 18 de agosto de 2025
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025
quarta-feira, 22 de janeiro de 2025
domingo, 3 de novembro de 2024
domingo, 27 de outubro de 2024
domingo, 8 de setembro de 2024
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024
quinta-feira, 9 de novembro de 2023
devagar se chega de longe
quinta-feira, 18 de maio de 2023
terça-feira, 17 de janeiro de 2023
Levanta-te e anda
terça-feira, 18 de outubro de 2022
verso'com'deus
segunda-feira, 29 de novembro de 2021
quarta-feira, 6 de janeiro de 2021
quarta-feira, 21 de outubro de 2020
O
pássaro tinha-lhe anunciado, dois anos antes, muito claramente, Vai e
entra naquele templo. Não houve perguntas a fazer, foi só aguardar o
sinal, do tempo. E o tempo chegou, o sinal foi um nome, e logo um
júbilo, seguiram-se a peregrinação e a hora, tocavam as 12 badaladas do
meio dia quando a pedra e as tábuas do chão acolheram os seus pés
descalços que o mesmo é dizer toda a sua existência, chegada e partida,
tudo o que vira e tudo o que viria estava ali naquela barca, mulher
completa, a dissolver-se.


