o espírito escreve
sem que o gesto da grafia seja devido.
Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens. Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.
ao amanhecer raia a sombra silente musical é nas árvores jangada, é nas pedras templo, nas conchas fundo, nos lírios campos, e é em mim descoberta.
toda a noite a rainha chorou suas lágrimas o mundo inundou em mar imergiu e logo respirou ventos fortes e o mar não oscilou chuvadas e a rainha não molhou.
na trovoada o marco do altar aos olhos da senhora sacro ardor águas de fogo, bátegas em oração os anjos magistrais ao clamor.
depois da bonança vem a saudade.
primoroso desassossego o lenho na sanga do medo descalça ao céu derramado nudez unção do tornado