Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



segunda-feira, 12 de junho de 2017



Virá o dia em que morreremos um do outro, num outro veio estelar entoará a métrica do reencontro, reconhecer-nos-emos, desta vez, menos estranhos. Mas este futuro é o nosso passado, na verdade, é o nosso invariável tempo, empurra-nos inseparáveis para nos estranharmos tão próximos, e prolonga-nos este aperto, o de não sabermos estar perto.

sexta-feira, 9 de junho de 2017



Destilação




ela levava ao voo os infernos, à dança da virginal matéria, depois de a perderem nas águas o escriba e as penas, apenas fatal o desassossego. 



segunda-feira, 5 de junho de 2017



no silêncio das casas moram fractais das respirações, movem-nos a noite e tecem nas transparências paredes e vento, dão-nos à luz a sombra, o corpo, assinam o tempo e o branco e dão ao sono rumos que tombam na manhã e no esquecimento.




Depois ficaram só os dois, houve aquele romper súbito da penitência, a auscultarem-se ao céu e aos tempos e a desembaraçarem a solidão. A bela desenganava-se. No compasso estelar, o sangue corria-lhe sem temor, límpido, desfez-se-lhe o caminho e a besta.