Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



sábado, 2 de outubro de 2010


4 comentários:

  1. O que mais se encaracola, a escada ou nós?

    Quando subimos pela escada, será que a escada desce por nós?

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  2. Muito Caro,
    Digo que ao subir se desce, e que ao descer se sobe, do cimo ou do imo.

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  3. Pois eu não desço nem subo. Aquieto-me. Espero, como Rilke das janelas, o que me admirará saindo ou netrando pela porta.Pode ser que não desça nem suba...e seja alado.

    saudades e saudações aos dois.

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  4. Ao frescor da fonte de ambas venho eu aqui dessedentar-me.

    O para-doxo do movimento é, creio, Luiza, ser-nos ele a "realidade" de algo que é (no limite) "inexistente", precisamente pela irrealidade de ele existir “fora” de nós.

    Qual enguia escorregadia, é isso, concordo, que nos faz verificar que "ao subir se desce, e que ao descer se sobe".

    É na insolúvel e insituável in-decisão "entre" o "cimo" e o "imo" – que como em "brincadeira" e "jogo" se permutam e mutuamente se nos disfarçam de todos os modos e todas as maneiras – que ocorre porventura aquilo a que, por força da nossa insipiência de linguagem, chamamos movimento ou, talvez melhor dito, as moções para-doxais do “imóvel”.

    Eu creio, Isabel, haver um espanto, uma surpresa e uma alegria imarcescíveis no mistério da sublime afinidade “entre” a “imobilidade” meditante e a suspensão ínsita no evolar dançante.

    Num e noutro, a aparente "contradição" intrínseca é o coração mesmo do que Há, sem qual nem quê: talidade disso que é sangue e seiva e leite e água que a tudo perpassa, nutre, peregrina e refulge.

    É nesse “aí” sem lugar (porque o é de toda a possível e impossível visitação) que Rilke, parece-me, se ajanela e canta. Ali,...

    “de repente neste penoso Nenhures, de repente
    o lugar indizível, onde a pura insuficiência
    inconcebivelmente se transforma –, e muda
    nessa vazia demasia.
    Onde a conta de muitos algarismos
    Se resolve em zero.”
    (“Quinta Elegia de Duíno”)

    Tal como os degraus de uma escada, que nunca sabemos se [nos] sobem ou se [nos] descem.

    Como em sempre “vazia demasia” de um tudo nada ...

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