Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



quarta-feira, 8 de setembro de 2010

a arte de morrer sentado


Anunciação

do ventre primordial és herança
em tua voz no tanger dos silêncios a dos avós
pai e mãe teus irmãos
filhos teus anciãos
és no coro corrente sem história nem presente
a tombar do perecer que te dá o nascer
no rosto mil rostos
no corpo um só sopro
és no coração a im per ma nên ci a

senta-te
no fundo e à margem do murmúrio tangente,
no canto o espelho, o mensageiro
e a saudade que em longe e abraço se mata.
O que morre desperta-te.
senta-te
em tua morada anunciada.

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