Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



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quinta-feira, 18 de julho de 2019


Havia dias em que sabia que o olfacto lhe ía matar a inocência, benzia-se antes de sair de casa, os cheiros levavam-na a limiares, apareciam-lhe mundos inquestionáveis, desaparecia de um e de outro em redemoinho, uma angústia.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019






demoras-te mortalmente


quinta-feira, 22 de novembro de 2018



nos teus braços pousamos o nosso corpo - não o nosso peso - o nosso sentir, por ti, vemos o que vês, em nós, o escudo mortal, a escuridão e o  s   i   l   ê   n   c   i   o 


segunda-feira, 4 de julho de 2016


Olhos na crista da falésia, na escarpa vigilantes, fixam as quedas do abismo, o cheiro de sangues nos interstícios das ruínas, areais levados pelas marés, aqui os pássaros, guardam entre as vozes dos tempos o entoar do mar, a canção das perdas e dos vendavais, e mandam as correntes aos sonhos do azul, para ti, de novo em mim, contra os rochedos e o céu, corpos assombrados da luz, bálsamos de algas, mãos, as tuas mãos, os pés, os meus pés, de regresso, a cavalo.


quinta-feira, 2 de junho de 2016


alvuras cobrem as verdes algas como o sol guarda a sombra e as mãos as esculturas dos mares do corpo ante o oceano, o vento, as conchas, os pássaros e a nós, auréolas de navios que passam ao largo para jamais distantes.


segunda-feira, 2 de maio de 2016


Na montanha deserto a chama no céu da noite,
nas brumas nocturnas rosa o desejo da coroa,
lascívias do sono nos limiares da pantera,
o bramir das sombras, pássaros, luz,
e no silêncio
o uivar da flauta.


| the silent flute


sexta-feira, 25 de março de 2016

in extremis



Filho !
benze a virgem seu vinho, púrpura paixão, amor,
chaga florescente, a poda
cai o céu !
Maria suspensa ante o rapto fogo santo.



terça-feira, 22 de março de 2016



luz à terra de luz, espírito santo na seta ao peito
o tremor das cinzas, o cálice, beijo teus pés.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016




terça-feira, 18 de fevereiro de 2014


ao amanhecer raia a sombra 
silente musical é nas árvores jangada, 
é nas pedras templo, nas conchas fundo, nos lírios campos,
e é em mim descoberta.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

sonho o canto do cisne
minha morte, meu bem
a noite se me apague,
meu natal.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

ao sol poente a hora nascente do finisterra,
desfiladeiro dos peregrinos do oriente.

sábado, 27 de julho de 2013

ao anoitecer a fé
no tombar da luz as escadas
alvo, o altar, na subida à madrugada.

terça-feira, 23 de julho de 2013

na mira o peito aberto,
a este no horizonte 
o amanhecer da esfera
fado da noite armilar.

sábado, 22 de junho de 2013

abisma-te no solstício
em suspensão ante a estrela
o céu anuncia sem iludir 
o crescendo da noite por ti vai subir.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

no fogo solsticial, a suspensão em pleno, contigo, irmão sol
lavas-me,
estendes-me o rubro fruto
e anuncias-me a subida pelo ventre da montanha, 
os fundos douro.