Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



sexta-feira, 31 de maio de 2013


há uma serenidade impensável leve e derradeira
há uma dor, impensável, próxima e marginal.

anjo meu
pousa neste alpendre
sobre este soalho senta-te a meu lado
escuto
a brisa no afago às espigas
sonho
o tempo e o doce tombar da chuva.
idos tempos outrora já
doravante sempre agora.
o corpo nas mágoas o decanto 
hóstia em negras florestas
no peito o leito do cálice derramado
prenhe d'amor meu pranto.
nascimento
e morro
todo o amor sem adiamento
agora e no soçobro
respiração a pleno intento.
imponderável e etéreo 
o tempo do corpo assoma na pele o vigor do espírito a liberar
- deidade da idade
O corpo reconhece o amor original.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

luz entardecida
neste nicho, íntimas arcadas
a sombra da virgem, o espelho
cabelos negros à beira falésia,
nesta tribuna o memorial de unos silêncios
a vocação numenal.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

passos no mundo, vultos pela terra,
no afundamado silêncio 
a punção, a lavra da pedra.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

à flor da pele
as rendas da combinação 
corpo que se verte para o branco leito
a doçura na face na almofada ao pousar
o sono, divino, a partida
o culto do despertar.

eis a filha da terra em pleno solo a noivar
eis o cuco, o cucar, a formiga, o grilo
a lagarta, a joaninha, a aranha a entear
em todo este chão de ouro um pouso solar
leito, húmus, na gestação de maio, de maria
humedecido o ventre, amante cobrir da semente
eis a floração do fruto anunciado
o gemido universal, sacramental
na mais bela assunção do verbo
- desMaio

quinta-feira, 2 de maio de 2013

a simplicidade é um requinte.