Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



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segunda-feira, 8 de julho de 2019




o Tempo , e voltar

Antes de abrir os olhos eu não estava aqui. Voltar aqui foi uma subida, pelo escuro, primeiro surgiu um som, depois uma imagem que veio pelo som, depois o corpo, o meu, e logo a onda do mundo me voltou onde sou particularmente animada. Observo que o mundo progride do som ao corpo, e finalmente à luz, e que aparece e desaparece, que sobe e desce, que abre e fecha, que do escuro se faz luz e vigilante o sono, que da indiferenciação brota a diferença. O mundo será o mito ou o símbolo desse destino de onde se cai para se voltar, que nunca se perde. O tempo é-nos recobro do espanto de nos vermos invisíveis ou, o que é dizer o mesmo, mortais.
O que aconteceu e não aconteceu para eu voltar. No momento em que o mundo me volta torno-me submundo, entrecortada a luz, e sei, quando desescurecida, que voltei a cair, que não sou de aqui e nem de além, e nesta inquietação me sossego.


terça-feira, 5 de março de 2019






ao corpo e à morte por vastos e inconcebíveis nos prendemos a imaginá-los

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019



Deixa morrer a vida para poderes viver


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015


O mistério é uma intimidade. 

sábado, 31 de outubro de 2015


samhain

é na morte a vida de todos os céus
antepassados, oh anciãos amores
em meu sangue os vossos, os ossos, os humores
as fogueiras, os cedros, as macieiras
o fumo das taças, das entranhas, fulgores -
ao rubro nas vénias outonais a aura dos ancestrais.



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

na procissão do sol, a concha, os fluxos
das trevas, pérolas, derramam luxos.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

imponderável e etéreo 
o tempo do corpo assoma na pele o vigor do espírito a liberar
- deidade da idade