Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



Mostrar mensagens com a etiqueta mar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mar. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020



Primeiro chama-me, depois apareço-lhe, e depois, aimeudeus, desaparecemo-nos.

| amor de mar |

segunda-feira, 4 de julho de 2016


Olhos na crista da falésia, na escarpa vigilantes, fixam as quedas do abismo, o cheiro de sangues nos interstícios das ruínas, areais levados pelas marés, aqui os pássaros, guardam entre as vozes dos tempos o entoar do mar, a canção das perdas e dos vendavais, e mandam as correntes aos sonhos do azul, para ti, de novo em mim, contra os rochedos e o céu, corpos assombrados da luz, bálsamos de algas, mãos, as tuas mãos, os pés, os meus pés, de regresso, a cavalo.


quinta-feira, 2 de junho de 2016


alvuras cobrem as verdes algas como o sol guarda a sombra e as mãos as esculturas dos mares do corpo ante o oceano, o vento, as conchas, os pássaros e a nós, auréolas de navios que passam ao largo para jamais distantes.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015


despir e entrar, mar 
sal, o corpo trovar
auréola vermelha,
o pélago azul lambe sua cria.

terça-feira, 3 de novembro de 2015


mar, oh mar, veste que me despe
tuas marés, a lei, meus pés a voar
corpo água, as gaivotas a gritar
mar que me ensinas, e apagas do areal.



terça-feira, 6 de outubro de 2015


mar, mar, veio primal, o sal a mar, 
o mar, da terra o entoar, corpo areal, costa, crosta, gruta
ondas, a coroa, jóias, penas, barcos e sonhos de lonjura
pés nos grãos de areia, pêndulo e sol, números,
e os pássaros.




segunda-feira, 15 de junho de 2015


o mar cogita o sol nas dunas
agita a crista das espigas
aventura o céu nos fundos,
nas brumas, vivos defuntos.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

luz entardecida
neste nicho, íntimas arcadas
a sombra da virgem, o espelho
cabelos negros à beira falésia,
nesta tribuna o memorial de unos silêncios
a vocação numenal.