Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



sábado, 27 de julho de 2013

à temperatura abissal
se encontra a noite e a transparência.
ao anoitecer a fé
no tombar da luz as escadas
alvo, o altar, na subida à madrugada.

terça-feira, 23 de julho de 2013

no athanor, a egrégora
o sopro no fogo, a amalgama
a operar num só, todo, fundo e evanescente corpo o jamais tempo .
meus Irmãos !
volver aos fundos, húmido impregnar
pulsa o retorno, amor
a perecer nas graças do alvor.
na mira o peito aberto,
a este no horizonte 
o amanhecer da esfera
fado da noite armilar.

quinta-feira, 11 de julho de 2013


limiar da pena, o calvário
teu amor, tua dor
minha dor, meu amor
mãe, velada consagração.

na dúvida, o benefício da escuta.

no timbre da pena pendulo 
em matinais e nocturnos repiques
sino é o meu peito monasterial
sonoro silêncio, amante respirar.