Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



segunda-feira, 18 de julho de 2011



1 comentário:

  1. De Donis de Frol Guilhade, a seu pedido (e eu, com ele):




    (A Ti e a Ele, perfumes em flor...)


    Eis a imensa lucidez: com
    sentir em que sempre recém
    chegue à janela perfumada
    dos dias o que em sereno
    bordado só nela nasce e desagua,
    como bailando, em eterna boda
    na linha dos gestos infindos, na silenciosa,
    espantosa profecia das mãos.


    Sim, mais vale o quase
    do que o tudo que nada vale, ou quase -
    sereníssima majestade da paz
    sempre inacabada (mais e mais)
    ao aconchego revisitante dos abraços
    no doce remanso ajardinado
    dos dedos, em cálice e plenitude
    de silêncio em seu mais táctil horizonte -
    como repouso de pássaros no canto
    da boca ao encantar silente do sorriso
    quente no sem fim dos afagos.


    Eis, definitiva, a translucidez: te
    ser os frágeis fios das margens da ternura
    na plácida calidez da sua mais fresca loucura –
    como quem sonhos desenhasse, brancos,
    relembrados então, nos veios glaucos e primaveris
    escorrendo orvalho pelas alvas nervuras
    do caminho até aos lábios, então líquidos,
    dos tantos, tantos beijos em floco.

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