o espírito escreve
sem que o gesto da grafia seja devido
Luíza Dunas (Luísa Sousa Martins) nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens. Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.
lembro-me do cheiro das flores e dos matos dos verdes bosques que os outonos tornaram húmus e chuvas dos meus pés nas primeiras lamas e o subir das águas e a força das correntes de um rio que se fez mar da saudade perdida agora que a terra avistei.
O
galo cantou(me) duas vezes esta manhã, parecia estar à minha espera,
passava pouco das oito e meia, eu tinha acabado de bater a porta de
casa, uma branca luminosidade trespassava os vidros da clarabóia do
edifício, na rua olhei para todos os lados como se o galo me estivesse a
ver de um lugar distante e circular, tudo à minha volta está a
cintilar.
Salto da gazela - sonhos de uma curandeira
segunda-feira, 12 de março de 2018
o sino chama, retine a hora, a manhã é a minha veste, o trinco de portas
a soar no peito, abrem-me as brumas e o aveludado das asas, espero-te o relógio despe-te, da nascente vens.