Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



segunda-feira, 30 de abril de 2012

 

anoitecer no deserto

quando a mágoa atinge a suavidade
o céu finalmente escurece
e a noite pousa em silêncio;
e é do lado de dentro do que assim se abisma
que irrompe um sopro fundo
que vem fundo abrir no peito a rosa.

1 comentário:

  1. Os filhos de Abraão

    Os gritos ainda ecoam
    Em cada canto, em cada trincheira,
    Em todos os túmulos.

    Restos mortais exibidos
    Como souvenires
    Enchem de orgulho
    O primitivo estágio ariano.

    O sangue do cordeiro
    Continua a jorrar
    No solo árido.

    Até que ponto a Bestialidade
    Deixará de existir em um mundo
    Que se deseja mais humano!

    Crente ou ateu
    Incrédulo ou cético,
    Auschwitz continua vivo em nossa memória:
    Um pesadelo que brotou
    E nunca mais se apagou.

    Inocentes ali pereceram,
    Sobreviventes dali morreram,
    Levaram todos para o túmulo
    O sacrifício dos filhos de Abraão.


    *Do livro (O Anjo e a Tempestade) de Agamenon Troyan

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