Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



quinta-feira, 18 de novembro de 2010


2 comentários:

  1. Ai, as janelas!
    Ai esta janela com o Outono todo a rir fios de cobre no interior do templo exterior da natureza dos quintais!
    Ai o vermelho das rosas e dos que têm, na casa, na sua ausência de ramos, a morada e o lugar insituado do espaço repousante dos braços e dos laços.
    Aconchegante.

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  2. Encontrei, Luisa, entre as folhas dos cadernos,somos janelas a olhar para elas...
    Cá vai:

    Há uma janela que nos olha para dentro
    Nada sei da paisagem que está por trás dela
    Só a janela, de olhos cegos, a fitar os nossos;
    Só a brisa a soprar no cortinado
    Só os buracos da renda, a flor dos dedos
    E o tecido a ser movido pela forma da vento.

    Há a luz que entra no espaço aberto das pétalas recortadas
    Do lado que está ao sol, e os buracos da sombra
    Do lado de onde a sombra está. Há o verde pé-de-flor
    Do lado escondido da flor. E há o esquecimento…

    Por trás da cortina desenhada em renda não sei o que há.
    Só vejo pequenos reflexos naturais e a cortina que se move
    E não quero saber se existe o que penso que está lá
    Só vejo a cortina que se move, sem que veja o que a faz mover.

    Aceno-te de lá e "de li"... Sorrio também.

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