Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



quarta-feira, 27 de agosto de 2014


nesta floresta sopram de uma macia lonjura
o saber das marés, do sol, dos pés no areal
algas, aves e peixes, tombo de fundos e sal.


perde-te ao ponto de só te restar o encontro.

Édipo! destino paixão irmão 
sombra da realeza universal
luz entrelaçada em pé ferido
da queda eva fonte femininal
enigma o além mãe e mulher
à antígona trindade nosso pai.

esperas e horrores na torra das horas 
ruínas corpos feridas vidas lacrimadas
das guerras vingue a iluminada deriva
desejadas sejam a nudação e a graça 
inumerável zero, abundância prometida
aos pés, aos pés, terra-ninguém, maria !

sábado, 2 de agosto de 2014



passos para o altar, o alter
sobreiros a cúpula do vagar
ao sol, as almas, à sombra
no quieto a água e a messe.

ao fundo o portão e o guardião.
tu, Irmão meu, minha coroa
de quem nasci e vim morrer
por quem de amor me dotas
dos partos nos antecipamos 
juntos a vida desaparecemos.

a loba abre as narinas à crista das espigas ao vento
na descida ao rio por árvores azul penedos oh alento
os cheiros destas terras e o hálito estival das serras
tentam-na ao uivo nas ladeiras sob a invocada lua.
no corpo e sangue a luz e cálice, 
da vida inexpugnável sou e inascível
o aperto, o dom, o ciciar dos céus, pó.
nudez o corpo, pouso e oferenda
mãos, mudo enleio outono e éter
a noite o beijo nos foge e encobre
violino entre searas una despedida
murmúrios luz vísceras nossa pele.