Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



terça-feira, 10 de setembro de 2013

joelhos ao solo
justo silêncio 
incenso, descalço coração
nos pés a língua húmida, o beijo do leão.
subida ao monte
descalça, peito nu
meu cavalo branco, brando
pulsar da terra, bravo corpo
o lume e as cinzas, santa incensação.
na queda prometida, a humildade, o húmus, o pomar.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

tocam os sinos
acendem-se tochas
partem amores ao vento
os gárgulas guardam.
cânticos dos cânticos
espíritos magistrais
graças d'amor 
tomam o corpo e o sangue de tua filha,
Nossa Senhora da Sede. ámen.

( amanhecer na Catedral de Sevilha )
o canto dos ciprestes
escrevem os pássaros
nas douradas planícies à brisa das ternas neblinas de setembro.
o corpo é um milagre.
no forno
fumo, pão, corpo e sangue
do fogo tessituras
o templo, ao alto as juras, chuvas.
no espigueiro o recolhimento,
a cela, o celeiro.