Luíza Dunas (Luísa Sousa Martins) nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



Mostrar mensagens com a etiqueta origens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta origens. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 10 de maio de 2017



Vénus prostrada, corpo deitado ao fragor da sombra, febril, os olhos abrem as cortinas sobre a montanha, ali no cume, onde o gelo ao sol promete o cair das lágrimas e o regresso das árvores, das flores, das fontes e dos pássaros, trémulos e doces os lábios no bramir-lhe a lua.

terça-feira, 9 de maio de 2017



sonhamos fundos, escuros e mansos, de memória perdidos
acometidos silêncios acordam-nos corpo
e montanha
no cúmulo do sonho acendem-se-nos origens, cintilantes, da noite esquecidas
e, então, lembramos,
lembramo-nos,
o olvido.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

incenso


Natal é sol que acerta e se pena
vigoroso aperto, lavra com tal brilho o choro
é ouro
é mirra
e fome ! de ser perfume infinito de vez .

sexta-feira, 25 de março de 2016

in extremis



Filho !
benze a virgem seu vinho, púrpura paixão, amor,
chaga florescente, a poda
cai o céu !
Maria suspensa ante o rapto fogo santo.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 24 de agosto de 2015


Escrevo porque não tenho palavras.

sexta-feira, 19 de junho de 2015


baleias, oh anciãs da primordial caverna.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013


o homem nasce para libertar o nascimento de si.

sábado, 27 de julho de 2013

ao anoitecer a fé
no tombar da luz as escadas
alvo, o altar, na subida à madrugada.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

meu irmão, meu guardião
sou aqui, sou a que de ti não parti
sei-o no teu sorriso a melar
em tua fronte iluminada está o sinal
meu olhar
nossa raça, o meu sol, o meu chorar
náufragos neste oceano de encanto sangue
águas de fogo do nosso irmano canto.

ao meu irmão Virgílio Augusto

sexta-feira, 31 de maio de 2013

idos tempos outrora já
doravante sempre agora.
nascimento
e morro
todo o amor sem adiamento
agora e no soçobro
respiração a pleno intento.
imponderável e etéreo 
o tempo do corpo assoma na pele o vigor do espírito a liberar
- deidade da idade
O corpo reconhece o amor original.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

à flor da pele
as rendas da combinação 
corpo que se verte para o branco leito
a doçura na face na almofada ao pousar
o sono, divino, a partida
o culto do despertar.