Luíza Dunas (Luísa Sousa Martins) nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



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sexta-feira, 25 de março de 2016

in extremis



Filho !
benze a virgem seu vinho, púrpura paixão, amor,
chaga florescente, a poda
cai o céu !
Maria suspensa ante o rapto fogo santo.



quarta-feira, 30 de dezembro de 2015


O mistério é uma intimidade. 

sábado, 31 de outubro de 2015


samhain

é na morte a vida de todos os céus
antepassados, oh anciãos amores
em meu sangue os vossos, os ossos, os humores
as fogueiras, os cedros, as macieiras
o fumo das taças, das entranhas, fulgores -
ao rubro nas vénias outonais a aura dos ancestrais.



terça-feira, 7 de janeiro de 2014

amanhecer nos ciprestes, sonho de reis
nas areias sacras entre os irmãos desmontar e ajoelhar.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

na procissão do sol, a concha, os fluxos
das trevas, pérolas, derramam luxos.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

o canto dos ciprestes
escrevem os pássaros
nas douradas planícies à brisa das ternas neblinas de setembro.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013


deserto descoberto, a pele derradeira
corpo nu, olhar sem fronteira
destino, as dunas, o tempo
morrer, a saudade, íntimo ao vento.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

nascimento
e morro
todo o amor sem adiamento
agora e no soçobro
respiração a pleno intento.
imponderável e etéreo 
o tempo do corpo assoma na pele o vigor do espírito a liberar
- deidade da idade

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

alvorecer do ultimar 
na carne e osso
o culminar da dissolução 
no lugar do corpo, rebento ao relento 
- pur'amor nascido.