o espírito escreve
sem que o gesto da grafia seja devido
Luíza Dunas (Luísa Sousa Martins) nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens. Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.
Filho ! benze a virgem seu vinho, púrpura paixão, amor, chaga florescente, a poda cai o céu ! Maria suspensa ante o rapto fogo santo.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
O mistério é uma
intimidade.
sábado, 31 de outubro de 2015
samhain
é na morte a vida de todos os céus antepassados, oh anciãos amores em meu sangue os vossos, os ossos, os humores as fogueiras, os cedros, as macieiras o fumo das taças, das entranhas, fulgores - ao rubro nas vénias outonais a aura dos ancestrais.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
amanhecer nos ciprestes, sonho de reis nas areias sacras entre os irmãos desmontar e ajoelhar.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
na procissão do sol, a concha, os fluxos das trevas, pérolas, derramam luxos.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
o canto dos ciprestes escrevem os pássaros nas douradas planícies à brisa das ternas neblinas de setembro.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
deserto descoberto, a pele derradeira corpo nu, olhar sem fronteira destino, as dunas, o tempo morrer, a saudade, íntimo ao vento.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
nascimento e morro todo o amor sem adiamento agora e no soçobro respiração a pleno intento.
imponderável e etéreo o tempo do corpo assoma na pele o vigor do espírito a liberar - deidade da idade
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
alvorecer do ultimar na carne e osso o culminar da dissolução no lugar do corpo, rebento ao relento - pur'amor nascido.