o espírito escreve
sem que o gesto da grafia seja devido
Luíza Dunas (Luísa Sousa Martins) nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens. Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.
irromper no instante o sopro que incandesce no corpo o descarnar.
terça-feira, 3 de novembro de 2015
mar, oh mar, veste que me despe tuas marés, a lei, meus pés a voar corpo água, as gaivotas a gritar mar que me ensinas, e apagas do areal.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
o silêncio deste canto este choro de nascer vela que me segura a luz o dom de morrer
terça-feira, 3 de setembro de 2013
o canto dos ciprestes escrevem os pássaros nas douradas planícies à brisa das ternas neblinas de setembro.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
estarei acordada, muito tempo, todos os tempos e saberei que nunca houve tempo como este, e que este é o tempo eterno. L'a
sexta-feira, 26 de abril de 2013
sacra prima vez no beijo sempre-noivos a iniciação pleno bosque, unas geografias, seiva indistinta, a ininterrupta e inefável única vez - casal primordial
segunda-feira, 22 de abril de 2013
adentro-me no jardim, minha casa, minha casta descalço-me junto ao cipreste percorro todos os arbustos beijo todas as flores cheiro todos os odores salto para este muro, sento-me junto à roseira toco-lhe o cacho de rosas e recordo a minha oração são rosas a minha oração, são rosas.
sexta-feira, 22 de março de 2013
botão desta flor grávida semente da semente em flor pedaço de terra todo o amor mulher, nu corpo, maríntimo mênstruo, o perfume, o nicho rio corrente do imperecível - contemplação d'amortal