Luíza Dunas (Luísa Sousa Martins) nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

natal


nascer é nivelar o tempo ao imemorial,
irromper no instante o sopro que incandesce no corpo o descarnar.


terça-feira, 3 de novembro de 2015


mar, oh mar, veste que me despe
tuas marés, a lei, meus pés a voar
corpo água, as gaivotas a gritar
mar que me ensinas, e apagas do areal.



quarta-feira, 13 de maio de 2015

o silêncio deste canto
este choro de nascer
vela que me segura a luz
o dom de morrer

terça-feira, 3 de setembro de 2013

o canto dos ciprestes
escrevem os pássaros
nas douradas planícies à brisa das ternas neblinas de setembro.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

estarei acordada,
muito tempo,
todos os tempos
e saberei que nunca houve tempo como este,
e que este é o tempo eterno.

L'a

sexta-feira, 26 de abril de 2013


sacra prima vez
no beijo sempre-noivos
a iniciação pleno bosque,
unas geografias, seiva indistinta,
a ininterrupta e inefável única vez
- casal primordial

segunda-feira, 22 de abril de 2013


adentro-me no jardim, minha casa, minha casta
descalço-me junto ao cipreste
percorro todos os arbustos
beijo todas as flores
cheiro todos os odores
salto para este muro, sento-me junto à roseira
toco-lhe o cacho de rosas
e recordo a minha oração 
são rosas a minha oração, são rosas.

sexta-feira, 22 de março de 2013


botão desta flor
grávida semente da semente em flor
pedaço de terra todo o amor
mulher, nu corpo, maríntimo
mênstruo, o perfume, o nicho
rio corrente do imperecível 
- contemplação d'amortal

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Refundo-me no colapso da plena adoração.