o espírito escreve
sem que o gesto da grafia seja devido
Luíza Dunas (Luísa Sousa Martins) nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens. Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.
deserto descoberto, a pele derradeira corpo nu, olhar sem fronteira destino, as dunas, o tempo morrer, a saudade, íntimo ao vento.
sábado, 22 de junho de 2013
parto na procissão matinal dos ventos, sob a neblina o imponderável rumo a solo, em unas areias, deserto meu.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
noite na estrada cavalos correm, rostos vermelhos, troncos nus no deserto o poço húmidos chãos, feridas mãos no canto dos pássaros nocturnos o som uterino, ao grito avistam-se as brumas, salta a gazela.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
que sede, sede imortal, sede de morrer, sede deste mar, sede do areal, que sede de me impregnar, dessedentar vasta, vasta, vasta !