A passagem estava escrita.
Nessa manhã, após a leitura, partiu
descalça, e seguiu a borboleta branca, eram muitas, não tinha como se
perder, até que desapareceram. Tinha chegado à escada talhada na terra.
Começou a subir, a escada era como uma serpente enroscada à montanha, à
medida que subia escurecia rapidamente. Subiu até ao último degrau que
dava para um cume suspenso, de onde provinha uma luminosidade dourada e
um cheiro encantador, profundo, a deserto.
Ajoelhou-se, a olhar
para cima. Tinha sede. Via silhuetas, ondulantes, as mulheres
segredavam a sabedoria, e os homens a eternidade. As suas vestes eram
translúcidas, os cabelos dourados, os corpos leves, a morte tinha-os
elucidado de tanto lhes pregar a vida, em severa misericórdia. Deram-se
as mãos, agora eram uma coroa branca, e o cume côncavo, como um cálice.
Vai, chegou-lhe ao peito em amoroso eco.
Levantou-se, e começou a descer pelas vertentes, a escada desaparecera,
amanhecia, a partir dali arriscou todas as paisagens, perdendo-se acertadamente.