Luíza Dunas (Luísa Sousa Martins) nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



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domingo, 8 de setembro de 2024

Os primeiros desenhos da vida, chamemos-lhe infância, são ouro. Ouro que se vai cobrindo, pois não é possível tão cedo receber tamanha luz, é preciso encobri-lo de 'chumbo para aprendermos a ver o Deustino. O tempo é o que nos ensina a eternidade, pois não é. O tempo é haute couture do despimento.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

 

| da Quaresma/Alquimia |
 
Há uma bruma emergente que chama ao louvor nocturno para contemplação das penas nas pendulares encruzilhadas, e logo o halo quente do centro no coração bate a hora natal imemorial. Das águas vivas a Palavra, essencial, uma vez eterna, sempre eterna, canta, invicta, no tempo, o corpo e as cinzas e o ouro.
Em Nome.

 

quarta-feira, 8 de maio de 2013


eis a filha da terra em pleno solo a noivar
eis o cuco, o cucar, a formiga, o grilo
a lagarta, a joaninha, a aranha a entear
em todo este chão de ouro um pouso solar
leito, húmus, na gestação de maio, de maria
humedecido o ventre, amante cobrir da semente
eis a floração do fruto anunciado
o gemido universal, sacramental
na mais bela assunção do verbo
- desMaio

sexta-feira, 22 de junho de 2012

no fogo solsticial, a suspensão em pleno, contigo, irmão sol
lavas-me,
estendes-me o rubro fruto
e anuncias-me a subida pelo ventre da montanha, 
os fundos douro.