Luíza Dunas (Luísa Sousa Martins) nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



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quarta-feira, 13 de maio de 2015

o silêncio deste canto
este choro de nascer
vela que me segura a luz
o dom de morrer

terça-feira, 31 de março de 2015

páscoa




treze é no sigilo do coração a visão de virgem selvagem,
o fogo na crosta do pão
na cúspide dourada do templo a oração do beijo
e a pomba na sigla solar do choro de Maria Magdalena.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

luz entardecida
neste nicho, íntimas arcadas
a sombra da virgem, o espelho
cabelos negros à beira falésia,
nesta tribuna o memorial de unos silêncios
a vocação numenal.

quarta-feira, 8 de maio de 2013


eis a filha da terra em pleno solo a noivar
eis o cuco, o cucar, a formiga, o grilo
a lagarta, a joaninha, a aranha a entear
em todo este chão de ouro um pouso solar
leito, húmus, na gestação de maio, de maria
humedecido o ventre, amante cobrir da semente
eis a floração do fruto anunciado
o gemido universal, sacramental
na mais bela assunção do verbo
- desMaio