Luíza Dunas (Luísa Sousa Martins) nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



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segunda-feira, 18 de agosto de 2025

 

Vimos do sol, temos na árvore a sombra que a luminescência agita e no poço, mercurial, a busca que nos confia pássaros no crepúsculo e anjos na noite de cada dia.
Basta adormecer, basta acordar, para se consumar o limiar, lugar claramente líquido e espesso que acolhe a mudança de campo e comprimento de onda e a fisicalização de imagens. Adormecer e acordar é primariamente salto, volátil portanto, e torna-se mergulho, de que regressamos a escorrer tinta em reorganização anamnésica. Para dentro e para fora, abrem-se os olhos numa vívida construção de mundos que é tempo, espaço, profundidade, estória, sinal e significação. Esta reunião de elementos imprime-nos fragilidades, dor, passagem, súbitas finalizações, e ressurgências, do sol. Memorial, o sol desmaterializa-nos para nos dar corpo - uma cintilante leveza de poderes, para recordar.
 
| linhas ensaísticas sobre a memória, vital |

 

segunda-feira, 4 de julho de 2016


Olhos na crista da falésia, na escarpa vigilantes, fixam as quedas do abismo, o cheiro de sangues nos interstícios das ruínas, areais levados pelas marés, aqui os pássaros, guardam entre as vozes dos tempos o entoar do mar, a canção das perdas e dos vendavais, e mandam as correntes aos sonhos do azul, para ti, de novo em mim, contra os rochedos e o céu, corpos assombrados da luz, bálsamos de algas, mãos, as tuas mãos, os pés, os meus pés, de regresso, a cavalo.


terça-feira, 14 de julho de 2015


rosadas as macias cornicabras, sento-me debaixo da pereira, descalço-me, saboreio, recordo minha avó.