Luíza Dunas (Luísa Sousa Martins) nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



terça-feira, 25 de junho de 2019






Todas as palavras repousam o corpo de um outro lugar


terça-feira, 18 de junho de 2019



a correr nos atrasamos







Júpiter abriu os olhos, viu-se no lugar do corpo, o corpo, nebulosa de insuportável luminosidade e negrura, fractal, distância destinada a fronteira, a velhice, para o inteiro, ressurgido, não regressado, na divina noite, ensanguentado, de si, imortal.


sexta-feira, 7 de junho de 2019





ao sol se queimam os sonhos, o rosto despido das chuvas, caminhante, os irmãos velam nas encruzilhadas


segunda-feira, 27 de maio de 2019


a mulher de rosto ao céu, agora aos olhos as águas, descoberto o sonho, veste-se dele, despe-a ele, antes, antes de a noite a levar.




Primeiro foi a explosão do areal e logo o mar em tempestade diluvial, veio o abismo e a urgência da queda, foi a perda, foi a agonia e por fim o choro. Não se imagina a luz, não se imagina.


| sonho 43 |

segunda-feira, 6 de maio de 2019


Antes de chegar aqui sonhei que estava neste lugar. Agora que aqui estou é um outro lugar, um outro plasma, um outro véu. Este contínuo desaparecimento





recordar é depois, acordar é antes de





o cuco foi o primeiro.


quarta-feira, 24 de abril de 2019



Este embaraço de refrearmos o rio, que nos leva somente para nos selar o ir, descobre-nos, desfeitos, à vista de abismos, movimento e eternos. Este medo de não libertarmos a morte, de sermos as correntes incertas, para, enfim, o salto, amoroso, imperdível, original, nEssa inconcebível plenitude




terça-feira, 16 de abril de 2019



todos os céus, todos os pássaros, os anos de cela, os anos de ti, a espera, o morrer, a cada amanhecer me desconheço








beijo esta pedra


sábado, 6 de abril de 2019



Love it be


quinta-feira, 28 de março de 2019



'Ela


quarta-feira, 27 de março de 2019



um som uma mudez circulando circulando-me um acordar uma corda



primeiro, o primeiro alvor, depois os pássaros, os voos e as letras, o Tejo a transcorrer-me, e a barca, aquela barca

| livro das horas |

terça-feira, 19 de março de 2019



é do anseio de sombra que irradiamos como ruínas majestosas a desaparecer ao drama da luz

terça-feira, 5 de março de 2019






ao corpo e à morte por vastos e inconcebíveis nos prendemos a imaginá-los

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019



vigoroso silêncio das ondas da noite, o respirar do céu, sorri o anjo ao morder-me

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019



das duas, uno
és quieto e inconstante humoração, não há escolha, é uma liberdade.

sábado, 9 de fevereiro de 2019



Quando partes, ficas.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019



Orar é selvagem



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019



Só há tempo para ser inteiro


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019



um raio iluminoso do céu por entre os galhos sombrios me entreabre os lábios de fome a sonhar-te




Orar é humano


quarta-feira, 30 de janeiro de 2019





por este céu em que somos a terra nos desfolha os olhos


sexta-feira, 25 de janeiro de 2019






demoras-te mortalmente


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019


é no impossível que tocamos a eternidade




Deixa morrer a vida e vive.




Estas brumas devolvem-me a vós, meus irmãos, minhas vidas de morrer, anelo e fôlego, meu íntimo.