Luíza Dunas (Luísa Sousa Martins) nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



quarta-feira, 1 de abril de 2026

afloração

Quando me aflora a partida deste mundo, apresenta-se-me mais claramente o sentido da vida, e a adentrada composição de experiências paira ante os olhos, para mostrar que não se vê, que é escuro, infinito, que é vesícula germinal na qual doura em secretude a flor.


Quando me aflora a partida deste mundo apresenta-se-me a chegada a este mundo. A primeira imagem existencial é incomportável aos olhos, a unidade é invisível na célula. A visão, no entanto, já ali assinara compromissos justiceiros de metamorfose. A dor servirá o milagre, admirável, espantar-nos-á, ver.

Quando me aflora a partida deste mundo, restabelece-se-me uma ordem, a ordem deste mundo.