O mar já embala a pele da serpente, veio buscá-la às areias para as águas cristalinas, num sonho indefinido.
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terça-feira, 3 de julho de 2018
terça-feira, 12 de junho de 2018
Tão
leve, etéreo, movia-se no interior do que inicialmente me parecia uma
gruta; demorou-se neste movimento junto às paredes - eram um limiar -
aguardava que eu percebesse que era o interior do meu corpo onde se
movia, e que nada o prendia, era um olhar. Era eu, sem ser eu. Quando
percebi, atravessei ou desapareci, não sei bem, mas que era eu a partir,
era.
| Salto da gazela - sonhos de uma curandeira |
| Salto da gazela - sonhos de uma curandeira |
quinta-feira, 10 de maio de 2018
Vou continuar a ler-te, a encontrar-te
nas ruas desta cidade, nos lugares em que caio ou me reapareço, que me
chamam para me insatisfazerem nas escrituras dos tempos. Já estou a
falar em várias línguas, o seu espírito aperta-me, possessivo, largo-o,
excepto quando o não posso pronunciar ou quando o meu corpo tem fome de
sacrifícios. Entro neste convento, caio imediatamente numa imensidão
impensável, as asas dispensam-me. É meio dia, pego n'A Insustentável
Leveza do Ser, quero ler-te neste estado impensável, vou para os
claustros. Sento-me encostada às colunas e leio repetidamente as mesmas
frases desta página, perco-as, mas volto a mim, ou melhor, voltam-me os
claustros. Está um vento quente e o sol bate-me no peito, descalço-me.
Os pés despidos trazem-me - não vou dizer leveza - o cheiro dos arbustos
e as geometrias respirados por centenas de anos. Como me vou levantar
da alegria deste lugar ?
| da original queda |
terça-feira, 10 de abril de 2018
sexta-feira, 23 de março de 2018
O
galo cantou(me) duas vezes esta manhã, parecia estar à minha espera,
passava pouco das oito e meia, eu tinha acabado de bater a porta de
casa, uma branca luminosidade trespassava os vidros da clarabóia do
edifício, na rua olhei para todos os lados como se o galo me estivesse a
ver de um lugar distante e circular, tudo à minha volta está a
cintilar.
Salto da gazela - sonhos de uma curandeira
Salto da gazela - sonhos de uma curandeira
segunda-feira, 12 de março de 2018
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
segunda-feira, 15 de janeiro de 2018
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
Ele disparou-lhe para o pescoço uma substância que a fez cair, sem forças nas pernas. Arrastou-a para dentro de uma pequena sala, o chão era frio, ela não lhe via o rosto, ele ajoelhou-se e, a segurar-lhe delicadamente na cabeça, transmitiu-lhe ao ouvido sem proferir palavras um pensamento que a deixou atordoada, e saiu depressa. Era uma casa no cimo de um rochedo, com vários patamares e muitas escadas. Quando ela recuperou forças foi a pé até ao mar, pelas rochas, que íam aumentando em altura à medida que se aproximava das águas, o que lhe tirava a vista do mar, só ouvia o som da rebentação mais profunda como se estivesse imersa. Agora a rocha onde estava tornava-se escorregadia e mexia-se para baixo, o mar crescia em ondas diáfanas cinzentas ameaçando tragá-la, medo,
num instante era manhã.
| Salto da gazela - sonhos de uma curandeira |
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
sexta-feira, 20 de outubro de 2017
| húmus |
num certo tombar do sol, numa certa cidade de sol, numa certa cidade de anjos, penetrou no coração da árvore da vida a anunciação da queda de duas folhas, uma graça, foi na exacta hora em que os dois olhares antigos cruzaram a estrela que esta lhes retribuiu luminosa o solo de uma floresta, de onde partiram juntos de mãos vazias e acarinhadas para as suas terras lunares, a estrela circulou-os em todos os seus cantos, santos, plantas, odores, águas, cumes, ruínas, feridas,
nus,
nus.
num certo tombar do sol, numa certa cidade de sol, numa certa cidade de anjos, penetrou no coração da árvore da vida a anunciação da queda de duas folhas, uma graça, foi na exacta hora em que os dois olhares antigos cruzaram a estrela que esta lhes retribuiu luminosa o solo de uma floresta, de onde partiram juntos de mãos vazias e acarinhadas para as suas terras lunares, a estrela circulou-os em todos os seus cantos, santos, plantas, odores, águas, cumes, ruínas, feridas,
nus,
nus.
sábado, 23 de setembro de 2017
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
Cabra montês
Vou no ditado dos sopros, a morrer, talham-me a fé e a terra, aqui, neste mosaico agreste, a cada passo aos altos cumes me toca a rebate a hora pia, a cruz do sagrado ministério do corpo, onde as águas ascendem aos pássaros e à sede e as penas e a leveza se confiam à superação do sal e do infinito, aqui, onde sobre as pedras quentes me estendo.
Vou no ditado dos sopros, a morrer, talham-me a fé e a terra, aqui, neste mosaico agreste, a cada passo aos altos cumes me toca a rebate a hora pia, a cruz do sagrado ministério do corpo, onde as águas ascendem aos pássaros e à sede e as penas e a leveza se confiam à superação do sal e do infinito, aqui, onde sobre as pedras quentes me estendo.
quarta-feira, 26 de julho de 2017
Noite em chama, por esta vereda passo, altos muros, altas árvores, ao alto o céu, percorro-a, ao fundo o portão e o guardião, corro, acorrem as árvores, tocam-me os ombros, abrando. No limiar viro-me, tenho as árvores a olhar para mim com olhos de pássaros nocturnos, volto-me para o portão, avanço, e aos primeiros passos para fora outros tomo para dentro. O bater metálico do portão sela-me as sombras dos tempos. Aqui fora dou passos largos sobre a calçada, cá dentro pausados, pés nus sobre a relva; aqui fora a noite quente, aqui dentro o húmido entardecer, os pombos, os melros, os pardais no seu canto; agora que é noite atravesso a estrada à luz dos candeeiros, e aqui estendo-me na relva, o azul claro pende sobre as árvores e o rio neste recanto.
quinta-feira, 13 de julho de 2017
Ela
entrava no mar, a ondulação convergia para si de todos os lados, as
várias correntes puxavam-na pelos tornozelos, as ondas não rebentavam,
mantinha-se de pé com dificuldade, mas avançava, prometera imergir,
virou-se de costas e largou-se, a rir, para das águas se cobrir. As
ondas cresceram, do areal uma voz chamou-a, ao erguer-se o mar era um
longo manto que trazia sobre os ombros. Chegada ao areal sentou-se a
olhar os pés, e começou a cantar, era uma canção de Aquiles a cantar
Hermes.
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Salto da gazela - sonhos de uma curandeira
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Salto da gazela - sonhos de uma curandeira
segunda-feira, 12 de junho de 2017
Virá o dia em que morreremos um do outro, num outro veio estelar entoará a métrica do reencontro, reconhecer-nos-emos, desta vez, menos estranhos. Mas este futuro é o nosso passado, na verdade, é o nosso invariável tempo, empurra-nos inseparáveis para nos estranharmos tão próximos, e prolonga-nos este aperto, o de não sabermos estar perto.
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