o espírito escreve
sem que o gesto da grafia seja devido.
Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens. Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.
tocam os sinos acendem-se tochas partem amores ao vento os gárgulas guardam.
cânticos dos cânticos espíritos magistrais graças d'amor tomam o corpo e o sangue de tua filha, Nossa Senhora da Sede. ámen.
( amanhecer na Catedral de Sevilha )
o canto dos ciprestes escrevem os pássaros nas douradas planícies à brisa das ternas neblinas de setembro.
o corpo é um milagre.
no forno fumo, pão, corpo e sangue do fogo tessituras o templo, ao alto as juras, chuvas.
no espigueiro o recolhimento, a cela, o celeiro.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
quando estamos a morrer, amamos.
deserto descoberto, a pele derradeira corpo nu, olhar sem fronteira destino, as dunas, o tempo morrer, a saudade, íntimo ao vento.
ao sol poente a hora nascente do finisterra, desfiladeiro dos peregrinos do oriente.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
o homem nasce para libertar o nascimento de si.
sábado, 27 de julho de 2013
à temperatura abissal se encontra a noite e a transparência.
ao anoitecer a fé no tombar da luz as escadas alvo, o altar, na subida à madrugada.
terça-feira, 23 de julho de 2013
no athanor, a egrégora o sopro no fogo, a amalgama a operar num só, todo, fundo e evanescente corpo o jamais tempo . meus Irmãos !
volver aos fundos, húmido impregnar pulsa o retorno, amor a perecer nas graças do alvor.
na mira o peito aberto, a este no horizonte o amanhecer da esfera fado da noite armilar.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
limiar da pena, o calvário teu amor, tua dor minha dor, meu amor mãe, velada consagração.
na dúvida, o benefício da escuta.
no timbre da pena pendulo em matinais e nocturnos repiques sino é o meu peito monasterial sonoro silêncio, amante respirar.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Neste rio a correnteza dos tempos, pranto de todas as almas, a minha pia baptismal.
sábado, 22 de junho de 2013
parto na procissão matinal dos ventos, sob a neblina o imponderável rumo a solo, em unas areias, deserto meu.
abisma-te no solstício em suspensão ante a estrela o céu anuncia sem iludir o crescendo da noite por ti vai subir.
Tocai-vos uns aos outros.
a busca é o vício, ébrio adiamento, o êxtase para não encontrar.
No vale das oliveiras chora a pobre menina das minas de ouro.
O corpo é um estado de espírito.
o coração de Lisboa é uma aldeia, uma menina senhora, uma criança antiga, uma frescura rubra, um rebento filosofal, os sinos das torres das igrejas vibram as colinas e todas as calçadas são santuários, e todas as janelas são miradouros, e todas as almas, santas - Lisboa sacra
terça-feira, 11 de junho de 2013
sob esta cúpula o anjo no seio em flor escuto na sôfrega inocência o rubro coração comungo da luz sua mão pássaros no olhar, franqueio o portão.
no silêncio da noite o clamor dos fundos afundar dos tempos o infundado retorno.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
estarei acordada, muito tempo, todos os tempos e saberei que nunca houve tempo como este, e que este é o tempo eterno. L'a
meu irmão, meu guardião sou aqui, sou a que de ti não parti sei-o no teu sorriso a melar em tua fronte iluminada está o sinal meu olhar nossa raça, o meu sol, o meu chorar náufragos neste oceano de encanto sangue águas de fogo do nosso irmano canto. ao meu irmão Virgílio Augusto