o espírito escreve
sem que o gesto da grafia seja devido.
Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens. Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.
no athanor, a egrégora o sopro no fogo, a amalgama a operar num só, todo, fundo e evanescente corpo o jamais tempo . meus Irmãos !
volver aos fundos, húmido impregnar pulsa o retorno, amor a perecer nas graças do alvor.
na mira o peito aberto, a este no horizonte o amanhecer da esfera fado da noite armilar.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
limiar da pena, o calvário teu amor, tua dor minha dor, meu amor mãe, velada consagração.
na dúvida, o benefício da escuta.
no timbre da pena pendulo em matinais e nocturnos repiques sino é o meu peito monasterial sonoro silêncio, amante respirar.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Neste rio a correnteza dos tempos, pranto de todas as almas, a minha pia baptismal.
sábado, 22 de junho de 2013
parto na procissão matinal dos ventos, sob a neblina o imponderável rumo a solo, em unas areias, deserto meu.
abisma-te no solstício em suspensão ante a estrela o céu anuncia sem iludir o crescendo da noite por ti vai subir.
Tocai-vos uns aos outros.
a busca é o vício, ébrio adiamento, o êxtase para não encontrar.
No vale das oliveiras chora a pobre menina das minas de ouro.
O corpo é um estado de espírito.
o coração de Lisboa é uma aldeia, uma menina senhora, uma criança antiga, uma frescura rubra, um rebento filosofal, os sinos das torres das igrejas vibram as colinas e todas as calçadas são santuários, e todas as janelas são miradouros, e todas as almas, santas - Lisboa sacra
terça-feira, 11 de junho de 2013
sob esta cúpula o anjo no seio em flor escuto na sôfrega inocência o rubro coração comungo da luz sua mão pássaros no olhar, franqueio o portão.
no silêncio da noite o clamor dos fundos afundar dos tempos o infundado retorno.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
estarei acordada, muito tempo, todos os tempos e saberei que nunca houve tempo como este, e que este é o tempo eterno. L'a
meu irmão, meu guardião sou aqui, sou a que de ti não parti sei-o no teu sorriso a melar em tua fronte iluminada está o sinal meu olhar nossa raça, o meu sol, o meu chorar náufragos neste oceano de encanto sangue águas de fogo do nosso irmano canto. ao meu irmão Virgílio Augusto
sexta-feira, 31 de maio de 2013
há uma serenidade impensável leve
e derradeira há uma dor, impensável, próxima e marginal.
anjo meu pousa neste alpendre sobre este soalho senta-te a meu lado escuto a brisa no afago às espigas sonho o tempo e o doce tombar da chuva.
idos tempos outrora já doravante sempre agora.
o corpo nas mágoas o decanto hóstia em negras florestas no peito o leito do cálice derramado prenhe d'amor meu pranto.
nascimento e morro todo o amor sem adiamento agora e no soçobro respiração a pleno intento.
imponderável e etéreo o tempo do corpo assoma na pele o vigor do espírito a liberar - deidade da idade
O corpo reconhece o amor original.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
luz entardecida neste nicho, íntimas arcadas a sombra da virgem, o espelho cabelos negros à beira falésia, nesta tribuna o memorial de unos silêncios a vocação numenal.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
passos no mundo, vultos pela terra, no afundamado silêncio a punção, a lavra da pedra.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
à flor da pele as rendas da combinação corpo que se verte para o branco leito a doçura na face na almofada ao pousar o sono, divino, a partida o culto do despertar.
eis a filha da terra em pleno solo a noivar eis o cuco, o cucar, a formiga, o grilo a lagarta, a joaninha, a aranha a entear em todo este chão de ouro um pouso solar leito, húmus, na gestação de maio, de maria humedecido o ventre, amante cobrir da semente eis a floração do fruto anunciado o gemido universal, sacramental na mais bela assunção do verbo - desMaio