Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

a saudade é a chama; o chamamento, o silêncio.

homenagem

O homem nasce quando se levanta de haver nascido.

solve et coagula

Verdade é o fogo secreto que nos dissolve a voz na escuta para d'ourados silêncios.
Refundo-me no colapso da plena adoração.

Talvez à vista não salte,
porque se firmam no firmamento, imóveis
as vozes pousadas em silêncio na sede de um diálogo cristalino.
Se te diriges para onde sabes que queres ir
não precisarás de pensar caminhos para lá chegar.
O ponto de equilíbrio é um ponto de vista.

Saudade - a precognição


Pressagiamos a nossa imortalidade original e ainda assim corremos com(tra) o Tempo.







domingo, 5 de fevereiro de 2012

As grandes alegrias não são extraordinárias.

domingo, 29 de janeiro de 2012

No olhar do outro encontras os teus sonhos mais remotos.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

senta-te junto ao altar
sem leituras, sem rezar,
pousa o rosário
senta-te junto ao altar
espera sem esperar
sua reverência ausência

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

penhamata

no imo do cimo o magma da bem amada
emana, irmana o perfume de cedros e montanha
na pele as rosas e os musgos
o fado a chama, a chamada
os melros, os cerros, e a montada
na lunação do véu uiva a aurora,
a sede, acende, ascende, nascente.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Todos os dias o melro mirava-se ao espelho, demorava-se a cantar.
Um dia, ao pintar o bico de vermelho, caíram-lhe as penas. Riu-se.
Riu-se tanto que acordou.
Naquele arbusto pendiam bagas vermelhas.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Deram-se as mãos, abriram-se vales, irrompeu a montanha.




sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Na arca o guardar do pão
no forno trazer o fogo a cozer a massa
nesta panela, ao levantar o testo, a prova do caldo
na casa o calor perfumado, e no céu
em tudo, o sacro alento da árvore.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

braço, berço, balouço
desces de tua casa,
que espreitas minha vera?

desço desço, sim
suo,
alta vai a noite
nasce-me uma fome
uma fome, de perigo
de um doce perigoso - geme a pantera.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

domingo, 23 de outubro de 2011

Beber, beber tudo, o todo
e cair, cair da superfície abaixo
até ao fundo, ao lodo
ao mudo, ao mundo - diz o lótus.

sábado, 22 de outubro de 2011

Quantas infâncias se perdem ao nascer (se) !

domingo, 2 de outubro de 2011



































falling

the daughter of the valley has arrived to the valley
she bows to the trees, she kneels 

the skin so soft in the wild
the sight of the far away so close
the gathering of the mountains
precious summer breathing softly
falling light so light into the fall. 


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Nos claustros desaparecidos




Irmãos,


aos vossos junto meus passos evanescentes


a vossa oração


em peito aberto


um canto em meu coração eco


nas vossas pedras o meu desenho


rasto no deserto


nos vasos de romãs o tesouro a descoberto.



( Catedral de Toulouse )




sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Na névoa da montanha
o cume, a ilha,
o encoberto.
Neste, a barca e as flores.

No anoitecer
a força da luz,

o círculo dos saudosos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011