Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

braço, berço, balouço
desces de tua casa,
que espreitas minha vera?

desço desço, sim
suo,
alta vai a noite
nasce-me uma fome
uma fome, de perigo
de um doce perigoso - geme a pantera.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

domingo, 23 de outubro de 2011

Beber, beber tudo, o todo
e cair, cair da superfície abaixo
até ao fundo, ao lodo
ao mudo, ao mundo - diz o lótus.

sábado, 22 de outubro de 2011

Quantas infâncias se perdem ao nascer (se) !

domingo, 2 de outubro de 2011



































falling

the daughter of the valley has arrived to the valley
she bows to the trees, she kneels 

the skin so soft in the wild
the sight of the far away so close
the gathering of the mountains
precious summer breathing softly
falling light so light into the fall. 


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Nos claustros desaparecidos




Irmãos,


aos vossos junto meus passos evanescentes


a vossa oração


em peito aberto


um canto em meu coração eco


nas vossas pedras o meu desenho


rasto no deserto


nos vasos de romãs o tesouro a descoberto.



( Catedral de Toulouse )




sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Na névoa da montanha
o cume, a ilha,
o encoberto.
Neste, a barca e as flores.

No anoitecer
a força da luz,

o círculo dos saudosos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011



noiva encantada

de duas árvores o pássaro desprendeu o canto
no coração mergulhou o sol
por vastas planícies cobertas de flores
o relinchar de cavalos brancos
bandos de gansos sobrevoam os lagos
o cuco virá anunciar o calor
e sobre a cabeça o céu e o véu pousarão.






segunda-feira, 27 de junho de 2011

Da mais intrincada treva irrompe o clarão.

sábado, 4 de junho de 2011

sábado, 21 de maio de 2011

Tudo o que vês, esquecerás
tudo o que revês, lembrarás.

ao entardecer do dia 11 de Maio de 2011

Pé de rosa
aveludada a rosa
rosa no pé
a cor rosa da rosa.

terça-feira, 22 de março de 2011

passo a mão pelo rosto
e neste gesto por rostos de outros tempos
não passados nem vindouros
como se não seja eu quem agora esteja a ver
ou sendo eu quem vejo não seja a mim que veja

quarta-feira, 16 de março de 2011

em fogo ouramos
por negros degraus tecemos alvuras
e ao silêncio de vestais chuvas
nos desprendemos em terras rubras.

quarta-feira, 9 de março de 2011

São as experiências não passíveis de memória que nos relembram o Imemorável.

terça-feira, 8 de março de 2011

entra meu amigo
não mais te imponho a venda que agora desaperto e te cai
para que (me) possas ver
e eu te veja a ver
o que se (me) ilumina ante o teu amoroso olhar.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011



Entardecer amanhece-te !

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O lugar do corpo

Aproxima-te do teu corpo,
vem, fica mais perto
escuta só, mais de perto,
agora mais,
estás quase quase a sair do lado de fora, mais um pouco,
pronto, agora pára, pára agora.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Nenhum som habita a rosa nem a roupa estendida ao vigor do sol.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O óbvio é o maior equívoco.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

ao alto, na cripta, um cavalo
percorre os prados que nos reúne a todos, livres, num cordão de bastões

Catedral de Santiago de Compostela

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Em todos os rumos
os ventos no levantar da tempestade
a cada passo no deserto
a consagração à mais íntima e funda quietude.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Preserva o laço, seja qual for o desenlace.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

É preciso uma certa bruma para não perdermos visibilidade.