Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



terça-feira, 30 de agosto de 2011

Nos claustros desaparecidos




Irmãos,


aos vossos junto meus passos evanescentes


a vossa oração


em peito aberto


um canto em meu coração eco


nas vossas pedras o meu desenho


rasto no deserto


nos vasos de romãs o tesouro a descoberto.



( Catedral de Toulouse )




sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Na névoa da montanha
o cume, a ilha,
o encoberto.
Neste, a barca e as flores.

No anoitecer
a força da luz,

o círculo dos saudosos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011



noiva encantada

de duas árvores o pássaro desprendeu o canto
no coração mergulhou o sol
por vastas planícies cobertas de flores
o relinchar de cavalos brancos
bandos de gansos sobrevoam os lagos
o cuco virá anunciar o calor
e sobre a cabeça o céu e o véu pousarão.






segunda-feira, 27 de junho de 2011

Da mais intrincada treva irrompe o clarão.

sábado, 4 de junho de 2011

sábado, 21 de maio de 2011

Tudo o que vês, esquecerás
tudo o que revês, lembrarás.

ao entardecer do dia 11 de Maio de 2011

Pé de rosa
aveludada a rosa
rosa no pé
a cor rosa da rosa.

terça-feira, 22 de março de 2011

passo a mão pelo rosto
e neste gesto por rostos de outros tempos
não passados nem vindouros
como se não seja eu quem agora esteja a ver
ou sendo eu quem vejo não seja a mim que veja

quarta-feira, 16 de março de 2011

em fogo ouramos
por negros degraus tecemos alvuras
e ao silêncio de vestais chuvas
nos desprendemos em terras rubras.

quarta-feira, 9 de março de 2011

São as experiências não passíveis de memória que nos relembram o Imemorável.

terça-feira, 8 de março de 2011

entra meu amigo
não mais te imponho a venda que agora desaperto e te cai
para que (me) possas ver
e eu te veja a ver
o que se (me) ilumina ante o teu amoroso olhar.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011



Entardecer amanhece-te !

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O lugar do corpo

Aproxima-te do teu corpo,
vem, fica mais perto
escuta só, mais de perto,
agora mais,
estás quase quase a sair do lado de fora, mais um pouco,
pronto, agora pára, pára agora.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Nenhum som habita a rosa nem a roupa estendida ao vigor do sol.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O óbvio é o maior equívoco.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

ao alto, na cripta, um cavalo
percorre os prados que nos reúne a todos, livres, num cordão de bastões

Catedral de Santiago de Compostela

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Em todos os rumos
os ventos no levantar da tempestade
a cada passo no deserto
a consagração à mais íntima e funda quietude.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Preserva o laço, seja qual for o desenlace.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

É preciso uma certa bruma para não perdermos visibilidade.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010







Pelos caminhos enlamaçados o sol encontra as penumbras, a pedra e o mundo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010


Pendem rubros
e soltam-se ao rumo dos sopros todos os gestos antigos na sábia renovação.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Mater.monial

Pousados soberanos
reparam em mim, pousada contemplando-os,
a jarra de flores, os candelabros, as arcadas;
em nós a doce respiração e a fulgência da noite com que tudo se casa.

sábado, 23 de outubro de 2010

sábado, 16 de outubro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010


Ao meu Irmão Virgílio Augusto

Em teu jubileu meu coração sangra e se consagra
por mim tu és e eu por ti
nestas terras em que nos errámos somos sem jamais nos perdermos
no infindo amanhecer que nada distingue nem separa.
Meu Irmão.

sábado, 2 de outubro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010