Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



sexta-feira, 20 de agosto de 2010


iniciação

despe o manto em que escreves a vida
e volta-te.
prosseguirás sem leitura;
devolvido à nudez cantarás a lança disparada dos sonhos
e o uivar dos lobos nas noites, cheias, de sombras;
desvelarás as plumas.
onde sobrevoares aterrarás,
o teu olhar atravessará tudo o que vê
penetrarás tudo o que tocas
e nessa travessia não saberás regresso.
de paixão primordial

Aos primeiros cabelos brancos
seu coração rejubila

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O que se inscreve do roseiral
é o que me empurra para o derradeiro perfume.
A cada olhar um pouso
uma aparição do que ouço
pela mão me traz a sombra
e o rasgo, um dorso do qual caio
dou por mim outro caminho.