Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



sexta-feira, 24 de janeiro de 2020



Digo-to por palavras, por pensamentos, por silêncios, por tudo e por nada, por espera, por saudade, por raiva, por milagre, por mar, por céu, por anjos, por anos e anos.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2020



Primeiro chama-me, depois apareço-lhe, e depois, aimeudeus, desaparecemo-nos.

| amor de mar |

domingo, 17 de novembro de 2019





a miragem do tempo confirma a sua passagem, o passado é presente a tempo de agora, porque é tempo agora do tempo que não se foi, que é guia para o futuro passado, a serpente vai morder a cauda, vai, e está, está, não pela primeira vez, não pela última vez, não em progressão, não em feitiço ou prisão, realizado o tempo do viver e morrer os tempos



'Ela





na improbabilidade se ajustam contas

quarta-feira, 13 de novembro de 2019


Caiu-me do céu
ou caí eu.



neste lugar borbulhante como as águas na nascente, acerto as horas a zeros, meu sempreIrmão que me eternas.

terça-feira, 5 de novembro de 2019



vou já nesta chuva que me termina e assina, ponho o casaco sobre os ombros, desfazem-se todas as cartas, regressas-me

quarta-feira, 30 de outubro de 2019



reapareço no corpo, o movimento é inicialmente o de uma vastidão a condensar-se, sem se distanciar ou romper
a consciência, não eu, observa-se a estreitar-se, a penetrar-se de uns sentidos, a habitar-se de uns tempos, plásticos, fluidos, que aparentam ser intransponíveis apenas para darem passagem
a outros tempos

| acordar é uma maneira de falar |

segunda-feira, 21 de outubro de 2019



afino das mínguas a saudade, vestal corpo ao sol, casta só até antes de o mar me tocar

| livro das horas |

segunda-feira, 14 de outubro de 2019


difícil é o desengano, a verdade não.

terça-feira, 1 de outubro de 2019



Vou ali reunir com uns antepassados, a ver se me fazem um desenho.

terça-feira, 24 de setembro de 2019



Segurava uma estrela de 5 pontas, procurava um livro filosofal num alfarrabista, para o pedir tive de o dançar, não tinham, mas tinham um livro de viagens.

| sonho 49 |



O encontro é inestimável e secreto seja qual for a revelação

segunda-feira, 16 de setembro de 2019



da quietude à quietude, o mundo.


terça-feira, 10 de setembro de 2019




dá nome às impossibilidades, não as mates
inteira-te nas partidas, segue a fome




terça-feira, 6 de agosto de 2019


Amanhecer é mais forte do que eu.


Se olhares muito para a montanha, a montanha começará a olhar para ti

segunda-feira, 22 de julho de 2019





Tive a sensação nos lábios do beijo na tua pele, pensei que sonhava acordada, afinal eu estava acordada no sonho, encostada a ti, olhávamos o céu; sussurraras-me junto ao ouvido esquerdo que tinhas lançado as cinzas em cima da cama, o soar do teu coração tocava todo o meu corpo, disse-te que as cinzas na cama me parecia um altar da fénix.

| sonho 30 |

quinta-feira, 18 de julho de 2019


Havia dias em que sabia que o olfacto lhe ía matar a inocência, benzia-se antes de sair de casa, os cheiros levavam-na a limiares, apareciam-lhe mundos inquestionáveis, desaparecia de um e de outro em redemoinho, uma angústia.