Noite em chama, por esta vereda passo, altos muros, altas árvores, ao alto o céu, percorro-a, ao fundo o portão e o guardião, corro, acorrem as árvores, tocam-me os ombros, abrando. No limiar viro-me, tenho as árvores a olhar para mim com olhos de pássaros nocturnos, volto-me para o portão, avanço, e aos primeiros passos para fora outros tomo para dentro. O bater metálico do portão sela-me as sombras dos tempos. Aqui fora dou passos largos sobre a calçada, cá dentro pausados, pés nus sobre a relva; aqui fora a noite quente, aqui dentro o húmido entardecer, os pombos, os melros, os pardais no seu canto; agora que é noite atravesso a estrada à luz dos candeeiros, e aqui estendo-me na relva, o azul claro pende sobre as árvores e o rio neste recanto.
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quarta-feira, 26 de julho de 2017
Noite em chama, por esta vereda passo, altos muros, altas árvores, ao alto o céu, percorro-a, ao fundo o portão e o guardião, corro, acorrem as árvores, tocam-me os ombros, abrando. No limiar viro-me, tenho as árvores a olhar para mim com olhos de pássaros nocturnos, volto-me para o portão, avanço, e aos primeiros passos para fora outros tomo para dentro. O bater metálico do portão sela-me as sombras dos tempos. Aqui fora dou passos largos sobre a calçada, cá dentro pausados, pés nus sobre a relva; aqui fora a noite quente, aqui dentro o húmido entardecer, os pombos, os melros, os pardais no seu canto; agora que é noite atravesso a estrada à luz dos candeeiros, e aqui estendo-me na relva, o azul claro pende sobre as árvores e o rio neste recanto.
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