Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



terça-feira, 27 de dezembro de 2016



Mãos juntas, olhamos o céu, nesta partitura ogival a clave da cruz e da luz, e nas ânsias de cúpula o buraco negro por onde nos entram os pássaros e a morte a conflagrarem toda a pena, connosco em braços, a um tempo, ao eclodir das preces nas armilas.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

incenso


Natal é sol que acerta e se pena
vigoroso aperto, lavra com tal brilho o choro
é ouro
é mirra
e fome ! de ser perfume infinito de vez .

Sonham-nos fecundos os cheiros da floresta, os pássaros ajustam-nos os abismos ao verbo divino, e a mina, que é de mar, de uma vida inteira de vidas, é nos nossos corpos que assina.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016


Na extremamente delicada tecitura e inteligência dos nossos destinos, a majestosa imprevisibilidade da interunidade mutável se nos abisma paisagens-consciências indefiníveis, em derradeira desocultação do ouro.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016



Ela pinta os olhos dos anjos ao sol, aparece vasto o veado entre colunas, pastor das brumas por onde somos, na subida, na dormida, no fundir das penas,
em voo de pássaros,
em sopro de sinos,
em douradas e esvoaçantes folhas, doces horas.

Diamantes



acordo o morcego, há um disparo de luz que nos chega do céu da noite, corremos espantados por entre os troncos e árvores da floresta, abrem-se clareiras ante os nossos olhos, de um branco não suportável, caímos e fechamos os olhos ao gritar
estou numa gruta, prostrada, olho à minha volta, é um nicho de alquimista, cheira a suor de lobos, entra um falcão, cela a gruta, olha-me sabiamente, estou perfumada de cios, sinto o fôlego de vários fôlegos, em feroz ternura.


| diamantes |
Salto da gazela - sonhos de uma curandeira