Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



segunda-feira, 4 de julho de 2016


Olhos na crista da falésia, na escarpa vigilantes, fixam as quedas do abismo, o cheiro de sangues nos interstícios das ruínas, areais levados pelas marés, aqui os pássaros, guardam entre as vozes dos tempos o entoar do mar, a canção das perdas e dos vendavais, e mandam as correntes aos sonhos do azul, para ti, de novo em mim, contra os rochedos e o céu, corpos assombrados da luz, bálsamos de algas, mãos, as tuas mãos, os pés, os meus pés, de regresso, a cavalo.


sexta-feira, 1 de julho de 2016



nebulosa, prenúncio de noite
eflúvio de luz
o diamante negro reverbera florestas, promontórios, falésias e enseadas,
alvorecem os precipícios,
o cristal fende
o corpo
vulcânico, o corpo
cinge
o mar, longínquo, as chuvas, douradas, as montanhas, pousadas, o tormento, unos
vazio,
o vazio
tinge.