Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



segunda-feira, 27 de junho de 2016



a escrita sinistra secreta-me, dou a mão ao vulto que me esconde, subliminal irrompe-me, irrompe a floresta na sombra sobre as águas, o sol esbate-me o corpo, as lágrimas são violetas, e a banda passa.


quinta-feira, 23 de junho de 2016



Pés descalços na ondulação das falésias, mar e luz, e vento,
o vento
despir
despir o tempo da prisão, sem tempo, o tempo da prece, o tempo do deserto.

quarta-feira, 22 de junho de 2016



mulher a sent ir
ir se
trans portada
no mênstruo, morte, plena visão, canto no deserto.

segunda-feira, 6 de junho de 2016



Ela já lhe ouve os cascos a revolverem o leito do rio, homem, vertiginal chama, nestes altos cerros os alecrins e os cardos, jóias perdidas e florescidas, fragas, musgos, o aguarda. Os húmidos desventram-lhe as trevas, a entrada na cela, anuncia-lhe o corvo a hora, ela ajoelha-se, atrás de si o chegado, salivante, hálito quente, toma-lhe o colo e morde-a ! , pó luz abismo, transfigurados, as rosas.


quinta-feira, 2 de junho de 2016


alvuras cobrem as verdes algas como o sol guarda a sombra e as mãos as esculturas dos mares do corpo ante o oceano, o vento, as conchas, os pássaros e a nós, auréolas de navios que passam ao largo para jamais distantes.



Lambe as tuas feridas.