Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



sexta-feira, 27 de novembro de 2015


teu rosto é uma esfinge,
terna nocturna de sonho, 

cheiro de abismos, luz
teu coração, meu coração.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015


naquele arbusto os melros esperavam
chegaram as pombas

eles cantaram o pão, 
elas, de saia de roda, vermelha, dançaram as bagas,
toda a noite o fogo e a lua.


quarta-feira, 25 de novembro de 2015


Aura lunar, o halo da medula
céus e paixão, respirar.


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

ao entrar no jardim
um cheiro a mar
e logo os melros,
e a floresta.


sábado, 14 de novembro de 2015


inclinam-se as árvores,
a montanha penetra as sombras
húmidos verdes dourados sob o azul outonal
encantado mato, as heras, os penedos, os musgos, os trilhos das chuvas.

terça-feira, 3 de novembro de 2015


mar, oh mar, veste que me despe
tuas marés, a lei, meus pés a voar
corpo água, as gaivotas a gritar
mar que me ensinas, e apagas do areal.




Todos os obstáculos apontam caminhos.