Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



sexta-feira, 31 de julho de 2015



veado, nevoeiro veloz
infrene teu cavalo
queda e presa, tu, precipício,
o precipício
Senhora !
aparição
azul azul
mudez
mudez

quarta-feira, 29 de julho de 2015

segunda-feira, 27 de julho de 2015


negro luminoso na renda do fado,
ferida ao céu, tesouro desferido,
sete amores batidos a mar, soluçar antebaptismal, anjos no canto do oceano, 

partido o ovo abóbadas erguidas, círios acesos, bastão esculpido,
o pórtico chama, o átrio clama, a solo a ama.

terça-feira, 21 de julho de 2015


sobe a maré, o imo caldo sobre as rochas e o areal, e o corpo,
o mar dentro, as algas, os fundos odores ressudam a bruma e o sol,
o céu respira.

terça-feira, 14 de julho de 2015


rosadas as macias cornicabras, sento-me debaixo da pereira, descalço-me, saboreio, recordo minha avó.

domingo, 12 de julho de 2015


na hora da rega a enxada sulca os veios, desenha as caldeiras e a corrente da água nascente doura na terra as cabaças, as abóboras, as ameixas, os pêssegos, os diospiros, as peras, as maçãs.

as casas morrem.

sexta-feira, 3 de julho de 2015


nascimento, imperativo pesadume da suprema leveza.