Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



quinta-feira, 19 de junho de 2014

corpo, nuvem macia
rio de mar, à chuva
despida fuga, rendido.
o contínuo milagre de cheiros, verdes e pássaros neste jardim reentorna-me de todos os quadrantes a mira do cipreste: meu altar, meu chão, a transparência incessível com que me mostras e desfazes o tolhimento, a leveza com que me sopras do abismo o reencontro solsticia-me de morrer.

amora branca na sina de um beijo.
pomba branca, infuso fogo
soberano amor florescente.

no esquecimento se banham todas as memórias.

terça-feira, 3 de junho de 2014

a estas rochas sobre o veludo das algas me dou
o cheiro do mar despede-me do corpo, ah deus.
roga-me a serpente os ventos do caminho
assombra-me febril o rumo que me ilumina
não há regresso nem passado nem futuro
na inseparação o pio medo, benta água fria.