Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

em amor diz-se a verdade.

ao amanhecer raia a sombra 
silente musical é nas árvores jangada, 
é nas pedras templo, nas conchas fundo, nos lírios campos,
e é em mim descoberta.
toda a noite a rainha chorou
suas lágrimas o mundo inundou
em mar imergiu e logo respirou
ventos fortes e o mar não oscilou
chuvadas e a rainha não molhou.

na trovoada o marco do altar
aos olhos da senhora sacro ardor
águas de fogo, bátegas em oração
os anjos magistrais ao clamor.
depois da bonança vem a saudade.

primoroso desassossego
o lenho na sanga do medo
descalça ao céu derramado 
nudez unção do tornado
Para bom entendedor, sagrado é amor.