Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



sexta-feira, 29 de novembro de 2013



no invernar
pinta a azeitona, desnuda a videira
aos pés a folhagem, espinhos nos soutos
o viço nos musgos, queimam geadas,
o frio desata um calor nos cheiros dos campos.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

templo n'água
o entorno da sacra mãe,
sangue, sal do tempo, o tempero
escadas, a temperança, graças de céu.
sangramento lacrimal,
ventre em derradeiro pranto, 
no íntimo luto a luz de Aparecida.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

no fundo alento as mudas do espírito
matriciais dores da desencarnação, 
o abandono, o âmago
- Pai, porque me abandonaste ?

samhain

é na morte a vida de todos os céus
antepassados, oh anciãos amores
em meu sangue os vossos, os ossos, os humores
as fogueiras, os cedros, as macieiras
o fumo das taças, das entranhas, fulgores -
ao rubro nas vénias outonais a aura dos ancestrais.
ar, fumo, o espírito
em carne negrume luminescente
brancura a dor, o dom
fogo mudo, fogo tudo, ouro, ouro
o ouro.