Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



domingo, 20 de outubro de 2013

serpente, minha cidade
oráculo espelho da trindade
teu corpo é solo, é colo
natal, berço e morte,
tua pele, penas e graças, as calçadas
nas tágides águas o halo das peles largadas.

a estibordo, os ventos da luz infinda.
o mar das profundezas inunda as flores dos altos cumes montanhescos.
espigas douradas
anseios do desnudar, a desfolhada,
sonho-te nos milheirais.
Tudo em pausa no sol do equinócio. Só o caniçal dança. E a criança.