Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



quarta-feira, 26 de junho de 2013

Neste rio a correnteza dos tempos,
pranto de todas as almas,
a minha pia baptismal.

sábado, 22 de junho de 2013

parto na procissão matinal dos ventos,
sob a neblina o imponderável rumo
a solo, em unas areias, deserto meu.
abisma-te no solstício
em suspensão ante a estrela
o céu anuncia sem iludir 
o crescendo da noite por ti vai subir.

Tocai-vos uns aos outros.


a busca é o vício,
ébrio adiamento,
o êxtase para não encontrar.
No vale das oliveiras chora a pobre menina das minas de ouro.
O corpo é um estado de espírito.

o coração de Lisboa é uma aldeia,
uma menina senhora, uma criança antiga,
uma frescura rubra, um rebento filosofal,
os sinos das torres das igrejas vibram as colinas
e todas as calçadas são santuários,
e todas as janelas são miradouros,
e todas as almas, santas
- Lisboa sacra

terça-feira, 11 de junho de 2013



sob esta cúpula o anjo
no seio em flor escuto
na sôfrega inocência o rubro coração
comungo da luz sua mão
pássaros no olhar, franqueio o portão.



no silêncio da noite o clamor dos fundos
afundar dos tempos
o infundado retorno.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

estarei acordada,
muito tempo,
todos os tempos
e saberei que nunca houve tempo como este,
e que este é o tempo eterno.

L'a
meu irmão, meu guardião
sou aqui, sou a que de ti não parti
sei-o no teu sorriso a melar
em tua fronte iluminada está o sinal
meu olhar
nossa raça, o meu sol, o meu chorar
náufragos neste oceano de encanto sangue
águas de fogo do nosso irmano canto.

ao meu irmão Virgílio Augusto