Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

estrangeira sou
como a sombra da árvore
que é árvore sem sombra 
- nos primórdios.
musgos, líquenes, heras
restolho pelas serras
rocha, rochedo, medo
árvores, trepadeiras, teias
bagas, louro, ouro 
no sangue das terras as trevas e o fogo -
viagem e abrigo, o inequívoco perecer, o despertar.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

na antecâmara da recôndita verdade
estala a pérola.
Se eu fosse vivo, gostava de viver aqui - disse-lhe o pai no cemitério, noite de finados, silêncio nas luzes sobre as lajes, uma vila iluminada.
E tudo o vento traz.
range o soalho, encontro marcado
beijo na cripta, o peito,
caldeirão, sombras no caldo, fumos
na invocação dos idos, húmidos
o cheiro de néctares, soro, santos
fêmeas, fome, fontes 
- nos subterrâneos dos elísios.