Luíza Dunas nasceu em Lisboa, que tem por sua terra oráculo, porto e pórtico das suas vi(r)agens.

Os escriptos surgem-lhe por obediência, assinalando imperativo que lhe inspira o cumprir de uma travessia revelatória de profundos, da qual se sente tão-só a decifradora e a primeira leitora.



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

pés descalços sobre as tábuas
árvores guardiãs das vidas dos mortos, o sangue
minha avó, minha avó,
minha avó de Soledade.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

ela vestia-se de vento
de um negro dourado
de um raio de luz suspenso e obscuro
olhar mariano, vestal ardente
abeirava-se das falésias
as marés relinchavam 
sulcando todos os areais 
vingando as primordiais.

domingo, 19 de agosto de 2012

Faz tudo certinho, à margem !
escuto
na vadiagem da manhã
minha montada
as pedras da calçada
sob o céu azul, luminoso
lacrimoso
na penumbra a minha sina
minhas mãos
do barro a cúpula erguida
minha espada na rocha
- canta o galo ao canto do cisne, 
doce tremor

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Nenhuma palavra celebra
a profusão dos sopros
na consumação do destino.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

a Via(gem)
 
em toda a partida se reúne e realiza
a verdade primeira e última do Início
na fundura das impossíveis vagas se cura
a ferida do eterno retorno.